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Mariana Maisonnave, vocação: arquiteta.

Sorriso largo e olhinhos estreitos ao sorrir. Foi assim que a arquiteta Mariana Maisonnave nos recebeu em seu escritório de arquitetura, para dividir conosco um pouco da sua trajetória e como descobriu a sua vocação na arquitetura.



Ambiente com piso vinílico Finottato
Marianna Maisonnave em seu ambiente na mostra Artefacto. Imagem: Darline Ângelo

Como tudo começou.

Nascida e criada em Florianópolis, ela nos contou como a sua relação com a arquitetura começou, ainda criança. Por volta dos 10 anos, seus olhos brilharam ao visitar com o seu pai a Mostra Casa Cor na cidade. “Eu fiquei encantada, apaixonada por aquilo e eu falei para o meu pai ‘um dia eu farei isso aqui’. Lembro que, durante a construção da casa dos meus pais, eu acompanhei tudo. Sonhei com o projeto do meu quarto, como toda criança, mas eu de fato vivi muito aquilo. Na época, mesmo com o quarto com cheiro de cola eu já queria dormir lá, ficar olhando e imaginando como tudo ficaria. Eu queria participar de tudo”, nos contou como quem repetisse os mesmos olhos daquele tempo: brilhando.

Na adolescência, ao chegar na fase em que era preciso optar por qual faculdade cursar, naquele momento em que é complicado ter certezas, hesitou. Como gostava da matéria de português, cogitou a possibilidade de cursar Direito ou Jornalismo. Por sorte, escolheu a Arquitetura: “... com certeza, se eu tivesse optado por Direito ou Jornalismo eu não seria tão feliz - a Arquitetura me realiza! A gente trabalha muito, dorme pouco, não é tudo glamouroso como é mostrado nas redes sociais, é bem longe disso. Mas é uma delícia! Eu amo a transformação, eu amo essa parte de interiores”.


Divisores de águas.

E foi a transformação de um apartamento de um amigo, que considera um dos divisores de águas da sua carreira e por esse motivo, eleito seu projeto preferido: uma cobertura em Jurerê Internacional. A arquiteta relatou que gostou de fazer o projeto pois, além da amizade, havia uma relação já existente com o local: “... eu cheguei a conhecer como era antes, convivemos ali e depois eu fui convidada a fazer a transformação. Então foi muito especial acompanhar algo que eu já havia experimentado anteriormente”.




O estilo era provençal, decoração herdada do antigo proprietário. Quando o amigo da Mari adquiriu o imóvel, a convidou para juntos fazerem a mudança, que foi por completo. “Juntos, escolhemos o que fazia sentido ficar, pois tinha muita coisa bacana, e o que sair. Foi uma reforma com pequenas mudanças estruturais, itens de decoração foram trocados e o lugar ficou diferente por completo!” O décor mais rebuscado deu lugar a um estilo moderno, mais contemporâneo.

Minimalismo como identidade da arquiteta.

E por falar em estilo, como um artista que pincela sua assinatura em suas obras, a arquiteta imprime o minimalismo em suas criações. “O nosso estilo vai mudando com o nosso vivenciar. O meu fica cada dia mais minimalista, eu sinto isso. Quanto mais eu experimentava a arquitetura e entrava no mundo de interiores, eu percebia o quão eu me identificava com esses espaços mais claros, limpos e o quanto eu achava isso esteticamente mais bonito, mais confortável aos olhos. Mas o meu minimalista não se inclina para aquele lado do frio, eu gosto do aconchegante, e eu faço isso com a inclusão de itens que tragam calor ao projeto, como: madeira, tecidos em tramas naturais...”.





Dando match.

E quando o cliente procura o artista, mas não tem consonância com a linguagem dele? A Mari fez analogia com o namoro, de que é preciso que ambas as partes cheguem à conclusão de que vão dar certo juntos.

E é na primeira reunião que ela procura entender os desejos, os gostos, e até trocam referências. Já aconteceu de após essa análise, ela ter que dispensar projeto por ter a consciência de que um profissional mais alinhado ao estilo do cliente, o atenderia melhor. Tudo sempre com muito cuidado, que deu para sentir no falar da Mariana enquanto nos contava. Teve um caso em que ela somente notou que não tinha dado o match durante o desenrolar da execução: “é delicado ir contra à preferência da cliente, à realização pessoal, ao sonho dela. A arquitetura é pessoal, é sonho! Então eu prefiro atender alguém que já busca pela minha linguagem, porque assim eu consigo trabalhar da melhor forma. A pessoa vai ficar feliz, eu vou ficar feliz. Isso não quer dizer que não serei flexível e atender aos desejos, pois é o meu papel fazer exatamente o que o cliente quer: função, cores, estética. Se ele ao menos se identificar comigo, é melhor para ambos”, completou a arquiteta.


O grande teste.

Antes disso, recém-formada, a arquiteta aceitou um grande teste. Sabe aquele dito popular “mar calmo nunca fez bom marinheiro”? A Mariana se tornou uma boa marinheira após a execução de um projeto bem desafiador: uma grande obra em um prédio muito antigo. O tempo era curto, tinha que ser durante o horário comercial, era necessário mexer na estrutura do local, entre outras exigências que fazia do projeto ainda mais complexo. Embora com todos os percalços, o objetivo foi alcançado com sucesso e o resultado foi satisfatório. Ainda bem.


Em mares mais calmos.

E quando está em mares mais calmos, na falta de ondas de inspiração? “Eu corro atrás da inspiração!” responde com uma gargalhada. Como empresária, é necessário trabalhar em todas as frentes, é preciso pensar no financeiro, na divulgação, na imagem, então muitas vezes fica-se no campo racional e para um artista, virar a chave e imergir em um mundo mais subjetivo é essencial para conseguir criar. “Quando eu estou em um ritmo muito intenso, em que tenho que executar obras, fazer tudo girar e ser comercial, às vezes dá sim um bloqueio criativo e aí eu vou viajar para me inspirar e me reconectar. É um jeito de sair do modo automático”. E completa “... a gente coloca aquilo que vive nos projetos”.

E é através de tudo que ela viu, de todas as experiências vivenciadas, do seu amor pela arquitetura e o mais importante, de ter atendido ao sonho daquela menina que sentiu seu coração pular e se encantar com o mundo que se abriu diante de seus olhos, na primeira vez em que visitou uma mostra de interiores.

Ganhou a menina, a Mariana e todos, por poderem presenciar projetos tão belos e significativos.

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